.: Dez Mil Platôs :.

Filosofia barata. Sub-literatura. Observações sobre o massacre do cotidiano.

Domingo, Maio 03, 2009

Uma crítica ao Creative Commons

Inspirado no post do Irradiando Luz, decidi abandonar o meu silêncio pois vi que esse meu texto é uma necessidade.

O Creative Commons é uma farsa. Existem as pessoas que criam e as pessoas que cercam. Criadores e burocratas. Hoje se exige os dois dos blogueiros, que aceitam esse trabalho sujo achando que estão revolucionando algo. Questionar a AUTORidade é coisa rara, o povo quer mesmo é o seu pedaço de terra para reinar. Triste mediocridade.

Famosos são os panfletos anônimos que circularam, de mão em mão, incitando revoltas na tentativa de explodir o contínuo da história. Isso faz parte do passado. Hoje as pessoas acreditam que o reino dos céus virá com o fim de um copyright fechado, e que isso (de alguma forma que ninguém sabe qual é), trará a liberdade criativa apoderada pela indústria cultural.

O que ninguém fala é que a própria questão da autoria é uma farsa. Uma cerca em um campo aberto, uma extensão da propriedade, ilegítima como qualquer outra. Aonde começa o seu pensamento e acaba o do próximo? Non-sense para aqueles que sabem que o pensamento só existe coletivamente. Para citar Melville, o que era a América senão um peixe solto, capturado pelos europeus? Que depois foi retalhado, cercado e vendido com um título falso de propriedade carimbado pelo todo-poderoso Estado. O que são as idéias senão peixes soltos?

O que os blogueiros vulgares e os fanfarrões das novas mídias não notam é que estão perpetuando essa farsa, e ainda creem que estão agindo sob o signo da liberdade. Tolos. Quem está comprometido com uma linha de pensamento que delimite o tempo presente e tente ver depois dele? Quem está pensando de fato?

Em tempo: o DezMilPlatôs sempre foi distribuído sob a licença de anti-copyright. Faça o que quiser com o que você encontrar aqui, porque essa sempre foi minha atitude para com os livros. Livre-apropriação para um livre pensar. Que os burocratas do Creative Commons instalem suas cercas, nós pularemos todas elas.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

Elogio à política

Proclama-se o fim da política. A esquerda é de direita, a revolução é uma utopia, o sonho acabou. Enquanto isso, reclama-se da corrupção do congresso, das políticas públicas ineficientes, do povo que não sabe votar ou mesmo da pemanência inevitável das coisas como estão.
Mas a política está um passo antes de sua instituição. Política é uma postura no mundo.
Estado e capitalismo formam a dupla dinâmica da modernidade. Capitalismo que se apropria de tudo e explora a produção em sentido amplo para daí obter lucro. Uma sociedade que tem como lógica de funcionamento o trabalho abstrato, anônimo, em que muda-se de emprego assim como troca-se de roupa. Trabalho que sustenta o sistema e recicla-o constantemente, tanto na produção como no consumo. O que não se percebe é que a lógica da acumulação, da geração de lucro, é o que cria os problemas que a própria sociedade tenta combater: pobreza, miséria, desemprego, crise ambiental, disciplinação dos indivíduos que só possuem valor enquanto mercadoria, ou seja, enquanto força de trabalho que não necessariamente envolve as mãos. O Estado surge como regulador deste processo que por si mesmo se autodestruiria. A exploração é irracional, pois em sua ânsia acaba por exaurir a sua fonte. E o Estado cria meios de que essa catástrofe capitalista não aconteça. Fica então neste jogo em que hora cede às pressões econômicas para criar novas e melhores áreas de investimento, hora às pressões sociais que exigem justiça, num sistema que promove a injustiça. "O sistema só funciona bem funcionando mal".
Onde é então que encontramos a política? Onde é que saímos do funcionarismo público e entramos na real produção política do mundo?
Nossa sociedade contemporânea tem como suporte fundamental o indivíduo. Indivíduo que é responsável por sua própria vida: que pertence a grupos, que é ou não feliz, que trabalha nisso ou naquilo. E ganha com isso seu status de sujeito admirável, de membro da sociedade. Porém, não há política enquanto ainda formos sujeitos, indivíduos. A política nasce da destruição do indivíduo - que passa a existir como produtor efetivo da realidade e não como um alienado de si, que relega às forças sociais a sua existência, reproduzindo inescapavelmente o status quo. Compreender-se como molécula que dá consistência aos efeitos que recriminamos e vida ao sistema que produz suas próprias crises. A política vem da superação natural, a partir de um rearranjo da percepção, da mesquinha consciência de si como um ser que tem necessidades individuais, que possui um vida particular. O mundo está aí para ser produzido para o futuro e não para ser arrumado no presente. Revolucione-se e desapareça. E seja bem vindo à política.

Quarta-feira, Novembro 26, 2008

A volta do cavaleiro fantasma

Tudo o que eu deixei de escrever aqui durante todo esse tempo, encontra-se agora compondo meu trabalho de graduação individual: Natureza, Cultura e Capitalismo.
Para matar as saudades... uma overdose.

Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Tomara que você fale inglês...

Comprovei a duras provas o que me disse um dia um professor:
"Procure em inglês. Português só serve para fazer fofoca."
Esse site é esplêndido! Sério, indescritível, a melhor coisa escrita que eu já vi: Larval-Subjetcs

Além desse, encontrei uma outra coisa fantástica,
Uma leitura forte do Capital por David Harvey
(Se você já percebeu que as coisas não funcionam por natureza e isso não é por causa de Deus, vale a pena conferir - principalmente as leituras 4, 7, 11 e 13)

Vai na fé negô!

Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Post-mortem

Porém, nada impede que outros falem!
Conheçam Claudio Ulpiano.
Pensamento e Liberdade em Espinoza - Parte 1 e Parte 2
Estética da Existência

Segunda-feira, Junho 02, 2008

... e então é o fim!

Se alguma coisa realmente está fora da nova ordem mundial, que sejamos nós! Interrompi minha carreira de Blogueiro, pois agora virei escritor profissional, contratado por uma sociedade anônima. Mas, na falta de novos textos, aproveitem para ler os velhos novos textos. (Ô Pedrão, faz um Random aí, aparecendo um texto do arquivo por dia). Valeu! Foi eterno enquanto durou... agora é infinito. Fui!

Domingo, Maio 18, 2008

Interlocutor

Eis então que recebo um e-mail de uma amiga que já há algum tempo retoma um assunto que é comum a muitos assuntos que ouço por aí, em botecos de esquerda, em livros de direita, em ancestrais, em pós-modernos (ultra-modernos é um conceito mais adequado): os paradigmas caíram e agora ninguém sabe o que fazer, não há mais valores, não há mais moral - "Deus morreu, Marx morreu e eu não me sinto muito bem" como disse muito bem um banheiro da filosofia. Eis a nova tese: a linguagem morreu. Quando no passado havia poesia e as palavras eram perigosas, lutava-se contra a repressão, criando rupturas; hoje, não há com o que romper, mas uma missão árdua, a de se fazer ouvir, a de tornar viva a linguagem, de fazê-la, ao modo alquímico, tornar-se ouro e mais, ser vista como ouro.
Mas, creio eu entender que o problema está mal colocado. Pelo exame dos fatos, confirma-se a Torre de Babel (a qual o Pedrão já alerta há um bom tempo). Inclusive, podemos pegar esse blog como exemplo. Aqui, colocamos justamente essas questões contemporâneas em evidência, todo esse papo já foi demasiadamente tratado aqui - se apenas as pessoas lessem... mas é fácil se esquivar. Talvez meus textos sejam ininteligíveis. Por que? De duas uma: ou não fazem sentido, ou as perguntas as quais respondem não foram feitas por ninguém (que tenha lido o blog).
O que quero dizer são duas coisas: 1- Se existe um problema de linguagem, não se trata meramente de um problema de expressão ou da rigidez da língua e da gramática, mas, antes, de um problema de relação, de conexión- não se fala a mesma língua por que, por mais que o mundo seja um, holísitco e tal, vivemos vários mundos diferentes. Significa dizer que o mundo é um , mas as realidades são tantas e tantas, porque, de uma maneira interessante, temos a liberdade, individual, de acreditarmos no que quisermos - sem qualquer restrição. Isso se refere a uma questão Bergson-deleuziana, que afirma que a realidade nada mais é do que a seleção de problemas. A vida (física e espiritual) se desenvolve selecionando problemas e criando jeitos de resolvê-los. Assim ,quando acreditamos em algo, mais profundamente, adquirimos (sem perceber) os problemas resolvidos pela crença. Tentamos solucionar problemas que nem sabemos quais são, este é o primeiro ponto; 2- a disseminação da informação é tão absurda que, pela falta de termos nossos problemas selecionados, tudo serve, o que quer dizer que nada serve.
Nada faz muito sentido, então começamos a copiar e colar as informações num imenso textão (física quântica e amor, ciência e calendário maia, profecias e aquecimento global e assim por diante) que em si não quer dizer nada. Dá uma segurançazinha de que estamos então entendendo alguma coisa, prontos para criar um mundo novo, através da arte.
Aí, dentro do software livre ou da Microsoft mesmo, vamos escrevendo mil textos. Dizemos que falta espírito coletivo, que falta amor, que falta ligação com a natureza, que falta isso e aquilo e inventamos um monte de jeitos para fazer um mundo melhor (Agenda XXI, Carta da Terra, Desenvolvimento Sustentável, Ecovilas, Abraço Coletivo, Amizade incondicional e impessoal...) Digo pela última vez: ESSES SÃO PROBLEMAS QUE NÃO NOS PERTENCEM! Podem até vir a serem nossos, mas não antes de serem criados, selecionados. (As notícias, sem dúvida, são uma estratégia foderosa para ficar jogando problemas para cima de nós, insolúveis - PORQUE NÃO SÃO NOSSOS). Acho que devo esclarecer esse ponto: problema seu não é um problema sobre a sua vida, "quem vai pagar as contas?; e eu que estou triste?; mas e meus filhos?; ainda bem que é você e não eu!", mas problemas que atravessem você, que você tenha o insight e diga "Nossa! Descobri um problema" - mesmo que ele já esteja aí há muito tempo.
Corre-se o risco de sumirem, por isso, todos os interlocutores. Aí, cada um se vira como pode. Uns tem fé, e esperam pacientemente até que alguém apareça. Outros, inventam interlocutores (tipo um amigo imaginário, ou uma multidão imaginária pra falar alto e levantando os braços, ou com cada um em uma hora). Há ainda aqueles que mandam cartas para si mesmos e outros que falam para qualquer um como se fosse para si. Aí as pessoas vão pinçando umas frases, copiando e colando no seu textão próprio e está tudo resolvido. São os ossos do ofício. Infelizmente, talvez tenhamos que nos explicar bastante, já que cada palavra pode significar tantas coisas - mas ainda assim, sorridentes diremos: "Estamos aqui para isso".

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Família - a meu amigo Pedro Tocha

Em uma família, lá no Ceará
Houve grande confusão, como se verá.
Uma mãe, um pai e um filho crescido
Já bem formado para ser um marido.
Uma bela garota, ele encontrou então,
Foi a seu pai saber sua opinião.
Seu pai disse: "Filho, devo dizer não,
A garota é sua irmã, mas sua mãe não sabe não."

Quem é real? Quem está aí?
A família é uma farsa que não quer cair.

Passadas semanas, chegou o verão,
Veio com a melhor moça da região.
Foi até seu pai ver o que ele diria,
Ele de pronto rejeitou a pedida
"Para essa menina, devo dizer não,
A garota é sua irmã, mas sua mãe não sabe não."

Quem é real? Quem está aí?
A família é uma farsa que não quer cair.

Foi à sua mãe, bem envergonhando,
Disse o que seu pai lhe havia falado.
Sua mãe deu risada e disse "Vai meninão,
Seu pai não é seu pai, mas ele não sabe não!"

Quem é real? Quem está aí?
A família é uma farsa que não quer cair.

...

Uso esse espaço para comunicar o meu abandono [temporário talvez] da tarefa de escriba. Para aqueles que ainda querem ler, procurem as referências dos meus textos e se divirtam. Os mestres estão aí para isso. Quanto a mim, manterei distância do teclado. Tomei conhecimento de um certo lado escuro do texto escrito e a partir de agora só usarei o diálogo cara a cara. Sócrates, Jesus Cristo e alguns pensadores pré-Socráticos já sabiam disso. Nada escreveram e agora somos reféns de seus comentadores. Quem ouviu, ouviu. Quem não ouviu, perdeu. Deixo para vocês um fragmento que resume um pouco disso tudo:

"Não se iluda com minhas palavras [...] Limito-me a expor as diversas teses a respeito. Não dê importância excessiva às interpretações. A escritura é imutável e as interpretações frequentemente não são mais que a expressão do desespero que os intérpretes sentem ante isso"

[Kafka "O Processo"]

Segunda-feira, Maio 05, 2008

City of Lights

Paris! How many books have been written for you! The glory of the lights, which paints today’s sunset! [Old-school writing mode disabled]

I will not write about any more glories. If the reader wants to know about the XX 'arrondissements', read Walter Benjamin, Charles Baudelaire, blah, blah, blah, flâneur, belle époque. Before the discovery of the so called 'New World', Jerusalem was the center of the planet, connecting Africa, Asia, and Europe. With the invention of the world made by the Europeans, these became the new center. The path to all kinds of exchange, either material or not. In the center of the world, Europe, in the center of it, France, in the center of France, Paris.

Around the world, we can find many attempts to reach this summit of civilization. There is even a tropical Paris. Saigon. Or would it be called Ho Chi Minh? Recife [Brazil] could be one, if it was not an aborted New Amsterdam. Rio de Janeiro came really close. Saint Petersburg is lovely, but too cold. But Buenos Aires...

Is seems to me today that this magnetic attraction towards Paris is kind of out of place. Where would the center be now?(Taking a risk of resembling an old man talking about the snow of last winter). Is there a center today? If people went to Paris a long time ago to see what was the news, today they go to see old stuff locked in prisons of art (also called 'museums'). As Caetano Veloso said, “Great Monuments going into ridiculous". In 1920, Le Corbusier was already tired of the tourists and of a dead monument-city. He wanted something new, fresh air, to tear the city down. Today he would be burned alive for being 'politically incorrect'!

I could quote Stendhal. Le rouge et le noir. But I have to confess I did not read the whole piece, much less in French. The English language is the new French, but I will place the original title to be more "cult".
The Britannica Encyclopedia buried Diderot. Anyway, Je ne parle pas français.

Paris and its uprising: 1789, 1871, 1968. Simple memory without taste for us who witness the end of History, the decadance of West and the subject’s slow death. I am tired of writing; I will let the reader do the rest. I am going to drink a coffee at the boulevard. Paris, Je t'aime.

Suicidle

Swiss Idle? Suicide of the Idles? Suicider?Inspired by my friend’s new t(p)ennis All-Star, irresistible post-moderns fragments came to my mind and I share them with my readers, which cabaly follow my journey through the world (Big Brother ∞).
I will continue my political identitary fragment, revealing some relevant perceptions about the contemporary vibrating life.

If the revolutionary pulsion have become démodé, if the left parties have invested in Social Democracy, if common opinion claims that every politic is a thief and leave it the rest, if the political movimentation have become miserable, specially after Foucault, mister whose thought dilutes the power within micro-relations, dismissing the category of dententor of power from the State, putting it as a mere reproductor, as all other life spheres (family, school, hospitals, army, work, prison, etc.), as a propelled word emerges de individual order of hedonism: What a bullshit! How miserable! How depressive! Life is only this one! We must enjoy it!

Enjoy is very different from seize.

The thought of difference, of fragmentation, of the becoming, couldn’t appear with more strength than in the present moment. Within the pure ignorative relativism, we can create our Avatars, feeling exactly as a part of the world. The difficulty is to find clans of the scarfing, one for each part of us. It’s the decline of financial capitalism to the emergence of psychological capitalism. Very soon we’ll have totally personalized products. The production of personalized and reactive individuals will get to its extreme point at the valorization of what is vulgarly called singularity and the market will give its material support to the reafirmation of these micro-identities, which will not need anymore the reflection of the others, but only the objetic affirmation of consume and the inhabitation of the body territory by signs. Body as an outdoor of personality.As alies, the movement mídias, which rape the senses.

It is not by mere chance that psychological crises are each time more common. The anti-depressive kingdom. Psychologists paradise. Self-help ocean. Each one have become its own problem. How could I possibly think the world while I’ve got this immense burden? How could I possibly act in the world if I need to invest on the distractions for the malaise doesn’t come back? Think positive, says the Secret. Some that are more brave, face the daily carnage and use artistic expression as exhaust valve – Hail Emos! For not becoming a serial-killer or a Unabomber, prime psychopaths, they paint, dance, write, sing.

Against authority, power, burocracy, anyway, any power identifiable that is external, youth massacre their parents, ignoring them as stupid jerks, alienated from reality. No one can affirm anything. Any conception of life is inadequate. If no one can show us the way, let us discover it by our own experiences. We are He-Man for the outside, but dead and fragile roses within. Our masters have become mentally retarded people (I’m sorry, special people) and we seek help to understand ourselves, trying to find a real way, the own way, but I’m sorry to inform, we will not find it. At least not in the sense we seek.

Youngsters revolted without cause, bipolar disordered or depressive when assemblage of fragments. Ghosts appear when we are alone, when the fragments are put together and condense themselves so that we perceive ourselves as nothing, as emptiness. Yes, hail the market! At least with it identities guaranty them selves. Even for the insistente wave of conservatives, preachers of moral… it’s a mere fight between the retailed and fragmented and the principled and slim. Mere question of form. Supported by the material acquisition, the certitudes are founded in what we can see and feel. If all our dreams have become reality, it’s just a question of acquiring credit, what can we do? Revolutionize our own minds, our own bodies. Something over the twilight zone...

Quarta-feira, Abril 16, 2008

a McCandless

In this lonely nature we're put into
Put aside by our own lives
No back, no forehead
And little more of silence.
No where is home
Though there's no place like my own
And through the wild we find it infinite
Forgotten as we find nothing
The thin perspective that make us alive
How sad it is to die.

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Alô?

Ouvi outro dia uma frase, algo mais ou menos asssim: "Antes, as paredes tinham ouvidos, então nós nos preocupávamos, nos precavíamos, tomávamos cuidado para não dizer mais do que devíamos. Hoje, os ouvidos têm paredes; não adianta gritar."

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Farmacopéia

Já que estamos no assunto psicotrópicos e escritores, aí vai mais um:

"A investigação mais apaixonada da embriaguez produzida pelo haxixe nos ensina menos sobre o pensamento (que é um narcótico eminente) que a iluminação profana do pensamento pode ensinar-nos sobre a embriaguez do haxixe. O homem que lê, que pensa, que espera, que se dedica à flânerie, pertence, do mesmo modo que o fumador de ópio, o sonhador e o ébrio, à galeria dos iluminados. E são iluminados mais profanos. Para não falar da mais terrível de todas as drogas - nós mesmos - que tomamos quando estamos sós."

Walter Benjamin - O Surrealismo 1929

Quarta-feira, Abril 09, 2008

N,N-dimetiltriptamina

Estudando Deleuze, encontrei a definição da trip de DMT.
"hierarquia do ponto de vista da potência: (...) um ser que "salta" eventualmente, isto é, ultrapassa seus limites, indo até o extremo daquilo que pode, seja qual for o grau."

Segunda-feira, Abril 07, 2008

...e no final das contas, o idiota sou eu.

Talvez eu nem precisasse dizer mais nada.
Como era bom não saber de nada. Como era bom viver da alegria, do amor, da fraternidade... do sorriso simpático, do bom dia aos outros, do ombro acolhedor. Pois é, como o Bolero de Ravel, fui entendendo umas coisas aí e ficando intolerante. Como é difícil saber das coisas. Muito do que eu fazia antes virou um SACO! A gente fica assim, mais chato, cri-cri e vai aos poucos, iressistivelmente se afastando desse mundo pentelho. O pior é que quem é idiota somos nós (ou eu?). O ouvido fica fino, a visão penetrante, o tato sensual... e nada passa intacto. E as coisas vibram, com tal intensidade que machucam. Mas enfim, acabei de ver que a moda não é mais Emo, agora é hype Britânico à la Bowie. Se você estiver precisando de grana, venda pó - lucro triplicado garantido.
Continuando, o que eu queria dizer é que fui ao médico hoje e cansado de tantos cretinos de pronto-socorro, fui a um médico homeopata-antroposófico-etc, mas que não é um charlatão, acreditem. Mas é dureza máxima ficar escutando baboseira, a nóz e o cérebro, 25000 = respirações humanas num dia e anos para o Sol cruzar o zodíaco (vai ver que é por isso que eu acordo um touro, depois viro um câncer e durmo num aquário). É casca... perde-se a paciência com facilidade. Aí vem a dúvida: será que eu mando ele calar a boca, será que eu entro num embate filosófico ou simplesmente concordo com a cabeça e sorrio sem prestar atenção assumindo meu momento peixe do dia?
Por isso, aconselho às pessoas que são felizes, que não estudem nem tentem entender muito as coisas. Divirtam-se. O mundo está para vocês!

Terça-feira, Abril 01, 2008

Manifesto IndieNiilista

1. O objetivo do movimento IndieNiilista é constantemente trair o
movimento IndieNiilista em um continuum de espaço-tempo
2. O suicídio não vale a pena. Não pelas razões apontadas por Albert Camus, mas porque preferimos erodir lentamente nossos corpos com o uso contínuo de drogas diversas
3. [...]
4. Lâminas afiadas e lugares altos podem parecer poéticos após algumas doses. Porém, podem parecer irresistíveis na sobriedade
5. Tal como a esquerda botequeira: "Tomaremos a cerveja e, eventualmente, o poder"
6. Somos soldados do nada advindos de lugar nenhum
7. "Seja rápido, mesmo parado" Deleuze/Guatarri
8. "Faz tudo como se alguém o contemplasse" (Frase inscrita na parede de um recanto [ou mocó] IndieNiilista)
9. Giordano Bruno não será esquecido
10. Christiane F. [drogada e prostituída] é a musa do movimento
11. "Não é a ameaça de loucura que vai manter a bandeira da imaginação a meio pau" [A. Breton, Primeiro Manifesto do Surrealismo]
12. O pedantismo tem seus limites. De qualquer forma verse sobre tudo quanto possível acerca de assuntos intelectuais
13. Se ficar em dúvida, faça menção ou cite algum autor pós-estruturalista
14. Consuma a maior quantidade de música alternativa possível e faça isso parecer natural
15. Ingmar Bergman, Almodovar, Jean Luc Godard e outros "cults" devem estar entre seus cineastas favoritos. Filmes com cachorros, explosões, crianças ninja e outros pastelões, assim como qualquer grande produção americana, devem ser rejeitados a priori
16. Sua endumentária deve ter um misto de personalidade própria e um "quê" de vanguarda Parisiense ou Londrina. Ela deve conter peças caras e baratas simultaneamente: estilo "high-low"

[Co-autoria de Bruno Malta]

Quarta-feira, Março 19, 2008

Filosofia barata

Meu professor falou que eu só escrevo aforismos. Me pediu um texto que não seja um haikai, algo longo e com substância. Vou fazer o que ele pediu, mas declaro que aqui no .:Dez Mil Platôs:. as leis são diferentes.
Vou continuar o projeto de fiosofia barata. Em breve vou abrir uma banca de aforismos no Largo da Batata [centro nervoso popular da zona oeste de Sampa]. R$ 1,99 a linha.
Aí vão alguns 'de grátis':
"A ciência é a filha da filosofia com o poder."
"Qualquer pensador, por mais livre que se proclame, sempre será refém dos tradutores e comentadores."

Domingo, Março 09, 2008

Pelado, pelado, nu com a mão no bolso

Vítima, talvez causador de um sistema escroto de colação de prazer sexual que se define pela hipocrisia social cada vez mais firme e aparentemente mais rarefeita. Sem dúvida um equívoco: pretender que em uma festa megalomaníaca haveria a possibilidade de um prazer sincero e bruto. Aquela onda infantil da qual diz Nietzsche e que propõe a aceitação de tudo. Equívoco de interpretação. De que vale um orgasmo roubado? Essa ridícula figura do gozo... Preciso de mulheres que se doem, que se soltem, que gostem de se sentir vibrar com o prazer único de ter um homem consigo e poder trocar algo que seja inexplicável. Mas quão rarefeitas são tais donzelas que podem entregar-se com graça e sem vergonha de qualquer tipo, que gostem de sentir um corpo inteiro disposto a interagir com outro ser completo e daí criar um tesão exagerado, descontrolado, que não passe por nenhuma legitimação festiva... Sim, não poso negar que estou em uma profunda crise, que me joga contra mim mesmo, uma libido sexual que se coloca em atividade e encontra a cada passo apenas uma parede mesquinha de sedução necrófila, de aparição corpórea e nada mais. E isso me encanta e justamente por isso, me frustra. Bonecas de borracha sem uma vida digna, que me trazem imenso tesão, mas que não podem corresponder a tal intensa vontade de satisfação do corpo.

Mulheres... definitivamente mais tesudas do que nós homens, mais soltas, mais insaciáveis, mas que representam uma figura paternalista enauseante de defensoras de uma pureza sexual ridícula. Antes os libertários dos 60! Sexo livre, diversão, satisfação, aliás, sem satisfação. Hoje essa juventude ultra libertária que necesita de uma carro para trepar, de uma gravata, de um emprego... bostas de um sistema que produz o novo e que faz do novo, status para a doação hipócrita de corpo e conseqüentemente de valor. Corpo privado, individualista, sofrimento da solidão. Libertem a loucura dessas bocetas razoáveis, sintam o prazer que há em compartilhar os corpos do êxtase e neles não encontrar propósito algum que não a satisfação. Mulheres, vocÊs podem ajudar a acabar com essa nojeira machista do bem sucedido... liberem a arte, o fazer pelo fazer e entreguem-se aos homens que têm vontade de emprazeirá-las com prazer. Amo vocês, mas com as devidas, loucas e enganosas atmosferas... me ajudem-nos!

Sábado, Março 08, 2008

Meditação caótica

Então é as viagem quase imperceptível de nos mesmomos como cosmos espalhados num planeta deserto de coberturas vegetais insólitas que nós torna algo como uma coisa que vive. Vive e tão mais que anda e come e vai por aí nessa aventura, sem querer parar muito em qualquer lugar ou em qualquer figura que possa ser um porto. Tenham coragens nesses corpos que vivem mais do que o poss´´ivel e sonham com o que vai para além da borda do conhecido e do que se diz por aí tamém como limite do razoável. O esporte da fronteira é surfar na cerca do pra lá e pra cá da vi nãi vi, do é não é que se apresenta e também não. Si-la-ba de sílabas tortas que mentem para nos levar mais longe, indo para a montanha da perdição que é o nde queremos chegar, sem saber e saber o que é lá e La... mentira. O que não é? Disruptivo sujeito, eruptivo do corpo sem órgãos vivo da atmosfera quântica em um sem númenos de casos... vivos. Tudo como se fosse o ar que voasse pela gaivota e não fizesse, no fundo, nenhuma difernça. É um caoso engraçado esse... alguma coisa que eu ri um dia.